Bloco Não é Não sai este ano com tema de mulheres indígenas, mas sem falsas fantasias.
Com o tema “A mulher indígena é mãe do Brasil. A Amazônia é o coração do mundo”, o Bloco Não é Não se prepara para apresentar o melhor Carnaval de toda a sua história nas ruas de Goiânia neste ano de 2026.
A psicóloga Cida Alves, doutora em Educação e com a experiência de quem trabalhou por mais de 30 anos no atendimento a mulheres e crianças vítimas de violências, é a idealizadora e coordenadora do Bloco Não é Não.
Segundo ela, “foi uma decisão consensual e coletiva, como sempre, trazer ao foco da festa momesca deste ano o debate sobre as violências sofridas pelas mulheres e meninas indígenas e também sobre a necessidade urgente da demarcação das terras dos povos originários como garantia de início da construção de uma Justiça Climática no Brasil’.
E, procurando preservar a cultura do Carnaval de Rua como a maior festa popular do Brasil, as foliãs e foliões do Não é Não já estão empenhadas em produzir suas fantasias.
No entanto, ressaltam a orientação a todas as milhares de pessoas que seguem o Bloco e especialmente às suas integrantes, de que não devem se “fantasiar de índio”, porque isso é interpretado como um grande desrespeito à cultura dos povos indígenas.
O evento, gratuito, que este ano recebe pela segunda vez verba da Secretaria de Cultura do Governo de Goiás, vai acontecer dia 14 de fevereiro, a partir das 14 horas, quando começa a concentração dos foliões, no Bar Comer Bem Que Mal Tem, Rua 15, localizado no Centro de Goiânia. E, às 17h30 tem início o cortejo pelas ruas centrais da Capital, com encerramento marcado para as 19 horas, na Rua do Lazer – Rua 8
Atrações
Durante a concentração e no desfile de rua, estão programadas a participação dos grupos de percussão Coró Mulher e Coró de Pau e as apresentações dos artistas
Nega Si, das DJs Gabi Matos e Iara Keven, Coró de Pau, do grupo de Metais do Coró de Pau e de Artistas Circenses do Circo Laheto; e a participação especial da
Banda Fritos do Cerrado e do Muralista e artista visual Wes Gama.
O enredo
“A civilização humana vive na atualidade a situação mais crítica de todos os tempos, o aquecimento global coloca a espécie humana e todo o planeta em risco extremo. Nesse sentido, nenhum outro tema é mais urgente que a Justiça Climática e a defesa da Mãe Terra”, justifica na apresentação do seu projeto para 2026 o Bloco Não é Não, composto por artistas, produtoras culturais, médicas, jornalistas, psicólogas e demais ativistas dos Direitos Humanos. Ecofeminista, o bloco promove durante todo o ano atividades de enfrentamento à Misoginia, Feminicidio, à Cultura do Estupro e faz Defesa da Integridade e Liberdade Sexual das Mulheres e Pessoas LGBT+, a partir da cultura carnavalesca que, no Brasil, foi refundada pelos povos negro e indígena. A estética fantástica dos folguedos populares é o fundamento da ação cultural do Bloco Não é Não.
“O evento – prossegue informando a coordenadora Cida Alves – será aberto, gratuito e democrático, incluindo mulheres, população LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência (PCD), idosos e demais públicos. Será garantido o “Espaço da Inclusão”, com acessibilidade arquitetônica, comunicacional (intérpretes de Libras), além de banheiro adaptado. Também será implementada uma política de gestão de resíduos, garantindo a limpeza do trajeto e promovendo economia solidária. Os povos originários e seu modo de vida garantiram a proteção de mais 83% da biodiversidade do mundo, por isso são o modelo de futuro possível. O futuro está na origem! A mulher é a origem de toda criação humana e a mulher indígena é a mãe do Brasil. Valorizar, escutar e dar centralidade às mulheres indígenas é enredo e expressão de uma gratidão ancestral”.