Fevereiro Roxo chama atenção para doenças invisíveis e reforça importância do diagnóstico precoce
O Fevereiro Roxo marca um período de conscientização sobre doenças crônicas que acompanham o paciente por muitos anos e que, muitas vezes, não apresentam sinais visíveis. Alzheimer, lúpus e fibromialgia são enfermidades diferentes, mas compartilham desafios importantes, como o diagnóstico tardio, o preconceito e o impacto direto na qualidade de vida.
De acordo com o médico reumatologista da Hapvida, Rodrigo Martins Carvalho, falar sobre essas doenças de forma conjunta amplia a compreensão da sociedade sobre o adoecimento crônico. “O Fevereiro Roxo é um convite para olhar com mais atenção para doenças que exigem cuidado contínuo e que nem sempre são visíveis, mas afetam profundamente a vida do paciente”, afirma.
O especialista explica que o diagnóstico costuma ser um processo longo. “Os sintomas são variáveis, intermitentes e nem sempre aparecem em exames simples. Por isso, muitos pacientes passam anos ouvindo que é apenas estresse ou cansaço”, pontua. No caso do lúpus, a doença pode se manifestar de diferentes formas ao longo do tempo, exigindo acompanhamento clínico e atenção aos detalhes. Já a fibromialgia ainda enfrenta desinformação e preconceito, apesar de a dor ser real e constante.
Segundo o reumatologista, o diagnóstico precoce é decisivo para o prognóstico. “No lúpus, permite evitar lesões em órgãos importantes. Na fibromialgia, ajuda a impedir que a dor se torne cada vez mais incapacitante”, explica.
O tratamento, de acordo com Carvalho, vai além do uso de medicamentos. “O paciente convive com a doença todos os dias. Dor, cansaço, alterações do sono e impacto emocional precisam ser cuidados junto com a medicação”, destaca. Nesse contexto, o acompanhamento multiprofissional, com atuação integrada de diferentes profissionais de saúde, contribui para reduzir crises, afastamentos do trabalho e melhorar a qualidade de vida.
Lúpus e fibromialgia como PCD: avanço legal
Outro ponto de destaque é o avanço da legislação que passou a reconhecer o lúpus e a fibromialgia como condições que podem enquadrar o paciente como Pessoa com Deficiência (PCD), desde que haja limitações funcionais avaliadas de forma individual. “Esse reconhecimento legal representa um avanço importante, pois valida o que o paciente sente, garante acesso a direitos, adaptações no ambiente de trabalho e ajuda a combater o preconceito”, afirma o médico.
Para a população, o alerta é claro: sintomas persistentes não devem ser ignorados. “Dor e cansaço constantes não são normais. Procurar ajuda médica não é exagero, é um passo fundamental para evitar sofrimento desnecessário”, orienta Carvalho.
Campanhas como o Fevereiro Roxo, segundo o especialista, cumprem um papel essencial ao estimular o diagnóstico precoce, o acompanhamento contínuo e a conscientização. “Quando o paciente é ouvido, acompanhado e tratado com respeito, os resultados aparecem e a qualidade de vida melhora”, conclui.
Tratamento vai além do remédio
O acompanhamento dessas doenças não se limita à prescrição medicamentosa. “O remédio trata parte da doença, mas o paciente vive com ela todos os dias. Dor, cansaço, sono ruim e impacto emocional precisam ser cuidados juntos”, afirma o reumatologista.
Nesse contexto, o acompanhamento multiprofissional ganha protagonismo. “Funciona quando os profissionais conversam entre si e enxergam o paciente como um todo. O reumatologista coordena, mas fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais ajudam a devolver funcionalidade e qualidade de vida apo paciente”, destaca.
Rodrigo explica que, na prática, esse suporte faz diferença no cotidiano. “Esses profissionais ajudam o paciente a se movimentar melhor, lidar com a dor, organizar a rotina e respeitar seus próprios limites sem culpa”.