• Nos EUA, Caiado busca acordos para exploração de minerais críticos com garantia de transferência de tecnologia

    Publicado em 5.02.2026 às 16:01

    O governador Ronaldo Caiado participou, em Washington, nos Estados Unidos (EUA), nesta terça e quarta-feira (03 e 04/02), de reuniões sobre a exploração de minerais críticos em Goiás. A convite da Casa Branca, Caiado esteve no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) e da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC), onde apresentou o potencial de Goiás a autoridades governamentais e do setor privado.

    Na ocasião, Caiado defendeu a celebração de acordo, com futuras parcerias que assegurem a transferência de tecnologia para a indústria local. “Entendemos que há oportunidades para o crescimento do setor. Não queremos que Goiás seja apenas exportador de matéria-prima, mas avance na separação e no processamento dos materiais”, afirmou o governador sobre os interesses do Estado em ampliar a cadeia produtiva ligada aos minerais críticos.

    O convite para as agendas em solo americano surge em um momento em que minerais críticos – como elementos de terras raras, essenciais para a indústria de alta tecnologia – estão ganhando cada vez mais importância econômica. Na reunião principal, realizada no DFC, Caiado foi recebido por representantes do governo dos EUA e do setor de financiamento para o desenvolvimento, incluindo o Diretor Executivo de Política de Energia e Minerais Críticos da instituição, Thomas Haslett.

    Durante a reunião, Thomas Haslett destacou as oportunidades para a DFC no setor de minerais críticos do Brasil, incluindo no estado de Goiás, bem como a importância de uma visão de longo prazo e do investimento em toda a cadeia de valor.

    O interesse no diálogo com Goiás, segundo Caiado, reflete a posição estratégica do estado no setor. Hoje, a única mina privada de elementos de terras raras em atividade comercial no Brasil está localizada no município de Minaçu. Além disso, um outro grande projeto no valor de R$ 2,8 bilhões está em implantação nos municípios de Nova Roma e Aparecida de Goiânia.

    “Goiás é um estado com subsolo muito rico. Nós temos vários minerais sendo explorados no estado”, destacou o governador. “É o único estado no Brasil que tem uma legislação de autoridade mineral, com um fundo específico para que a gente possa, em parceria, instalar um laboratório para que possamos desenvolver o que é o objetivo do Estado”, completou Caiado.

    O CEO da Aclara Resources, Ramón Gino Barúa Costa, também participou do encontro e apresentou os avanços da atuação da empresa em Goiás, que está desenvolvendo o Projeto Carina em Nova Roma, com investimento de cerca de R$ 2,8 bilhões para extrair terras raras pesadas. A multinacional iniciou a operação em planta piloto, em Aparecida de Goiânia.

    Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), de janeiro deste ano, apontam 515 processos minerários ativos relacionados a esse tipo de minério no estado. A maioria está concentrada nas fases iniciais: 411 autorizações de pesquisa e 94 requerimentos de pesquisa, o que indica um cenário de intensa prospecção. Em fases mais avançadas destacam-se sete processos de concessão de lavra, sendo que Goiás é a única região produtora fora da China.

    Durante a missão oficial aos Estados Unidos, o governador Ronaldo Caiado também cumpriu agenda no Center for Strategic and International Studies (CSIS), o centro de referência do governo norte-americano para análises e debates sobre política internacional, segurança e estratégia global. O governador foi acompanhado pelo secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima.

    Contexto internacional
    O presidente Donald Trump anunciou, recentemente, um plano para a criação de um estoque de minerais críticos, estimado em US$ 12 bilhões, para abastecer a indústria norte-americana. Batizada de Projeto Vault, a proposta prevê US$ 1,67 bilhão em capital privado e um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos. Assim como a articulação sobre terras raras, o objetivo é reduzir a dependência da China em insumos.

    Foto: Alexandre Parrode