Visita a sítio arqueológico em Formosa inspira estudantes de Goiânia a criar projeto que vence prêmio nacional de inovação
Uma visita ao sítio arqueológico de Formosa (GO), realizada em setembro de 2025, inspirou estudantes do Sesi Planalto, em Goiânia, a desenvolver um projeto que acaba de conquistar reconhecimento nacional. A equipe conquistou o primeiro lugar no Prêmio Sesi de Inovação Niède Guidon durante a etapa nacional do Festival Sesi de Robótica, encerrada no domingo (8), no Pavilhão da Bienal, em São Paulo. Com o resultado, os alunos também *garantiram classificação para o FIRST LEGO League Asia Pacific Open Championship, competição internacional que será realizada na Grécia, entre os dias 8 e 10 de maio.
O projeto vencedor foi desenvolvido pela equipe Titans LJ e consiste em um tapete antifúngico capaz de controlar a umidade e inibir a proliferação de fungos em ambientes onde são armazenados artefatos arqueológicos. A solução foi escolhida como a melhor entre 35 projetos de todo o país.
A ideia surgiu durante pesquisas sobre arqueologia realizadas pelos estudantes ao longo da temporada da competição, iniciada em agosto de 2025. Durante os estudos, o grupo identificou que muitos artefatos desenvolvem fungos logo após serem retirados do solo, o que pode comprometer a conservação das peças.
Inicialmente, a equipe pensou em desenvolver um verniz fungicida para aplicação direta nos artefatos. No entanto, após orientação de especialistas, os estudantes descobriram que a legislação brasileira restringe a aplicação de substâncias diretamente nesses objetos sem autorização específica. A partir dessa limitação, o grupo reformulou o projeto e passou a desenvolver uma solução voltada ao controle do ambiente de armazenamento.
O resultado foi um tapete composto por substâncias higroscópicas, responsáveis por regular a umidade do ar, combinado com agentes capazes de inibir o crescimento de micro-organismos.
O desenvolvimento do projeto levou cerca de dez meses e envolveu pesquisas, visitas técnicas e testes laboratoriais. O protótipo foi avaliado em instituições como a Universidade Federal de Goiás (UFG), a PUC Goiás, a empresa Abelis Arqueologia e o Museu de Antropologia do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA), além de análises laboratoriais realizadas no Instituto Senai.
Para a arqueóloga Conceição Lage, embaixadora da temporada e uma das profissionais mais reconhecidas da arqueologia brasileira, o projeto chamou a atenção da comissão avaliadora pela viabilidade de aplicação prática. “Nós ficamos encantados com todos os projetos, mas a comissão decidiu avaliar aqueles que tivessem mais aplicação imediata e que não apresentassem problemas legais para uso. Pensamos muito na aplicabilidade imediata. Foi um projeto maravilhoso, unânime entre a comissão”, destacou.