Crise global pressiona custos e acende alerta na cadeia de alimentos em Goiás

Publicado em 3.04.2026 às 21:03

Base para alimentos presentes diariamente na mesa dos brasileiros, o trigo volta ao centro das atenções diante de um cenário de pressão global sobre custos e oferta. O Sindicato dos Moinhos de Trigo da Região Centro-Oeste (Sindtrigo) alerta que os efeitos desse contexto já atingem a indústria moageira na região, com reflexos diretos em Goiás.

O aumento dos custos logísticos, a valorização do trigo no mercado internacional e as mudanças tributárias internas ampliam os desafios para o setor, que busca equilibrar contas e evitar impactos mais intensos ao consumidor.

Para o presidente do Sindtrigo, Sérgio Scodro, o momento exige atenção redobrada. “Estamos diante de um ambiente de custos elevados em várias frentes, desde o frete até os insumos industriais. O setor tem adotado medidas para preservar o abastecimento e reduzir impactos, mas é um cenário que exige acompanhamento constante”, afirma.

O posicionamento regional dialoga com o alerta feito pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), que aponta um agravamento das condições econômicas para a cadeia do trigo no Brasil. Segundo a entidade, a combinação entre alta do petróleo, aumento do diesel e dos fretes, elevação das cotações do trigo no Brasil e no exterior, além do encarecimento de insumos, embalagens e seguros internacionais, pressiona diretamente os custos da indústria.

Como commodity essencial, o trigo tem impacto direto sobre uma ampla cadeia de alimentos. Do preço do grão dependem produtos amplamente consumidos, como farinha, pães, massas e biscoitos, o que amplia o alcance dos efeitos econômicos sobre empresas e consumidores.

Além dos fatores externos, a Abitrigo destaca que mudanças tributárias recentes — como a incidência de PIS/Cofins sobre o trigo importado e a redução de benefícios fiscais — elevaram a carga sobre itens básicos, podendo chegar a até 10% no caso da farinha de trigo. Na avaliação doSindtrigo, esse movimento reduz a capacidade da indústria de absorver custos e aumenta o risco de repasses ao longo da cadeia.

Apesar do cenário desafiador, as empresas do setor têm adotado estratégias para mitigar impactos, como diversificação de fornecedores, revisão de rotas logísticas, otimização de estoques e ganhos de eficiência operacional. O objetivo é manter a regularidade no abastecimento e reduzir oscilações no mercado.

Trigo do Cerrado – Goiás tem ampliado sua participação na produção nacional com o avanço do trigo tropical, cultivado em áreas do Cerrado. Embora ainda dependa de importações para atender à demanda interna, o Estado apresenta crescimento consistente na cultura, impulsionado por tecnologia e integração com o agronegócio.

O chamado “Trigo do Cerrado” surge como alternativa para fortalecer a cadeia produtiva regional, reduzir a dependência externa e ampliar a competitividade da indústria de alimentos. Ainda assim, no curto prazo, o setor segue exposto às oscilações do mercado internacional.

“Há um potencial relevante para o crescimento da produção local, mas o Brasil ainda depende de importações. Por isso, movimentos no cenário externo continuam influenciando diretamente os custos e a dinâmica do setor”, reforça Scodro.

Em Goiás, onde a indústria de alimentos tem forte presença, o comportamento do mercado de trigo segue como fator determinante para a formação de preços e para o equilíbrio da cadeia produtiva.