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  • Brasil incentiva pesquisas para combate ao novo coronavírus

    Publicado em 7.05.2020 às 11:12

    Na coletiva de imprensa desta quarta-feira (6), no Palácio do Planalto, os ministros da Saúde, Nelson Teich, e de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, descreveram as ações das respectivas pastas para atenuar os efeitos do novo coronavírus no País.

    O ministro Marcos Pontes abriu a reunião citando as ações de apoio na área de tecnologia, boa parte delas com incentivos à área de pesquisa. Ele afirmou que a chamada pública da Finep de R$ 5 milhões para o desenvolvimento de equipamentos de proteção individual e coletivo recebeu 81 propostas de soluções inovadoras. 

    O ministro disse ainda que uma parceria entre o MCTIC e a UnB está testando e desenvolvendo um sistema de radiação ultravioleta para fazer a descontaminação de máscaras N-95. A tecnologia está sendo testada em seis hospitais, entre eles, o Hospital de Base de Brasília e o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). 

    De acordo com o ministro Pontes, no próximo dia 15, a pasta irá assinar com seis instituições uma encomenda tecnológica sobre edital com investimento de R$ 1,5 milhão que prevê formulação de uso de novas matérias-primas para a produção de álcool em gel. 

    De acordo com ele, a chamada pública com investimento de R$ 50 milhões – anunciada no mês passado em parceria com o Ministério da Saúde para financiar pesquisas sobre novos métodos de diagnóstico, tratamento e interrupção da transmissão do novo coronavírus – recebeu 2.203 projetos cadastrados. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) analisa as contribuições para a divulgação final. 

    Marcos Pontes também comentou sobre as reuniões de ministros de outros países sobre a pandemia. “A cada 15 dias, participamos de um conjunto de 15 ministros de Ciência e Tecnologia, onde conversamos sobre os efeitos e as soluções para minimizar os efeitos da Covid-19. Ele ressaltou ainda a importância de o governo de estar preparado para enfrentar novas pandemias. “Essa pandemia nos mostrou a necessidade de termos sistemas preparados. A questão não é se vamos ter outra, mas quando”.

    Mais leitos 

    O ministro da Saúde, Nelson Teich, destacou que o governo habilitou mais 592 leitos de UTI, em 16 estados, para tratar pacientes com Covid-19. “Mapeamos as necessidades e ajustamos as mais urgentes”. 

    Teich afirmou também que as visitas do ministério da Saúde às cidades afetadas pelo novo coronavírus vão continuar. Segundo ele, as visitas são importantes para que o Governo Federal entenda o que os governos e as secretarias locais estão fazendo para combater o novo coronavírus.

    “Foi importante ter visitado Manaus e ver como as coisas estão funcionando. Independentemente da região, mesmo em uma mesma cidade, é possível ter situações diferentes. Percebemos que a lógica da doença pode mudar, dependendo do nível social. Isso nos ajuda a definir a melhor forma de trabalho em cada local”, disse. 

    O estado de Amazonas recebeu do governo reforço financeiro na ordem de R$ 1,440 milhão e conta com 110 leitos habilitados (dez a mais na data de hoje).

    Em relação a pesquisas com medicamentos, o ministro tem a expectativa de que, até o fim do dia, saia um estudo brasileiro preliminar com quase 100 hospitais envolvendo hidroxicloroquina em comparação a outras substâncias. “É possível que ainda hoje já tenhamos alguma informação preliminar de novos estudos a respeito de efetividade, efeitos colaterais e efeitos benéficos e novas drogas. Esses estudos vão nos ajudar a recomendar o melhor medicamento”.  Nelson Teich salientou que profissionais australianos farão a análise final, para garantir a imparcialidade no resultado preliminar.   

    Já para a produção de medicamento, o MS está conversando com laboratórios que poderão produzir vacinas para que o País garanta uma cota delas, caso surja alguma. A ideia, segundo o ministro, é já negociar antecipadamente para garantir ao Brasil esse tipo de recurso. 

    Questionado sobre o isolamento social, Teich defendeu a existência de diversos níveis de distanciamento. “Não há defesa ou oposição ao isolamento. É necessário fazer o que é certo no lugar certo”, salienta. Para ele, a disputa política não deve fazer parte desse debate. “A cooperação é necessária, sem conflitos e sem desgastes”, afirma.