• Da descoberta do câncer na gestação ao primeiro Dia das Mães: história de Elisflávia emociona

    Publicado em 8.05.2026 às 17:08

    Depois de enfrentar um dos períodos mais delicados de sua vida — uma gestação de alto risco atravessada pelo diagnóstico de câncer em estágio avançado — a professora Elisflávia Rodrigues vive agora dias que define como “mágicos”. Em casa, com a filha Olívia nos braços, ela experimenta um novo tempo, de reconstrução e aprendizados, após uma cesariana de alta complexidade e a redução de um tumor, que mobilizaram uma verdadeira força-tarefa hospitalar.

    Diagnosticada durante o pré-natal com um câncer no intestino, apresentando metástase nos ovários, Elisflávia é a protagonista de uma história que reúne, em um mesmo enredo, a esperança pela vida e a resposta eficaz da medicina.

    Com 31 semanas e 3 dias de gestação, a mãe teve o parto antecipado após uma piora do quadro clínico, levando a equipe médica a uma corrida contra o tempo, em um caso que exigiu atuação rápida, decisões complexas e integração entre diferentes especialidades — fator determinante para o desfecho positivo. Apesar do cenário delicado, o nascimento de Olívia ocorreu bem, e a equipe realizou uma redução parcial do tumor apresentado no intestino de Elisflávia, ajudando nos próximos passos do tratamento da paciente.

    A história, que começou com incertezas, tornou-se símbolo de resistência, cuidado e esperança. Agora, a professora celebra o primeiro mês de vida de Olívia e se prepara para viver seu Dia das Mães com a filha nos braços.

    “Esses dias têm sido maravilhosos, a Olívia veio para me dar força e tem me ensinado o que é ser mãe. A gente aprende vivendo, no dia a dia, é algo muito instintivo, você se vê fazendo coisas que parece já saber. É o instinto de mãe despertando”, comemora, em casa.

    A alta e a volta para casa marcaram uma virada emocional, depois de toda a tensão vivida com o diagnóstico e a cesárea antecipada. “Quando saí, pensei: agora sou eu que tenho que cuidar. Mas tem sido leve, estamos vivendo tudos juntos e isso tem sido muito importante para minha cabeça, para minha força”, conta, destacando a parceria do esposo, Laio, e de toda a família.

    Dia das Mães em casa
    Do ponto de vista médico, o caso de Elisflávia evidencia a importância de realizar um pré-natal rigoroso e da atuação multidisciplinar. Do ponto de vista humano, revela como a fé acompanha e dá força a pacientes como ela. “Eu confiava muito em Deus e na equipe, e isso fez toda diferença. Se ela tivesse nascido no tempo normal, eu ainda estaria com ela na barriga, mas agora ela está aqui, nos meus braços. Ela está bem, aprendendo, crescendo, enchendo nossa vida de luz. É algo de Deus”, diz a professora, que se emociona ao pensar nos motivos para celebrar o primeiro Dia das Mães com a bebê fora da barriga.

    A data será comemorada de forma íntima, respeitando os cuidados com a recém-nascida, mas carregada de simbolismo. Segundo Elisflávia, a família, que já era unida, se tornou ainda mais próxima após a experiência. “A gente passou por um tempo de muita aflição. Agora estamos aproveitando para ficar juntos, celebrar.”

    Entre os planos, estão um almoço em família, um churrasco e o registro de momentos simples juntos, que antes pareciam incertos. Para marcar esse novo momento, Elisflávia também participou de um ensaio fotográfico ao lado da mãe, da irmã e da filha. “Foi maravilhoso. Só de viver aquilo, meu coração ficou cheio de alegria.”

    A importância do pré-natal
    Mais do que uma história que comove, o caso de Elisflávia acende um alerta importante: o acompanhamento pré-natal atento pode ser decisivo não apenas para a saúde do bebê, mas também para a identificação precoce de condições graves na mãe. E, diante de cenários críticos, a atuação coordenada e humanizada dos profissionais de saúde pode ser o fator que transforma risco em vida.

    A descoberta da doença ocorreu durante o pré-natal, conduzido pelo médico ginecologista obstetra da Hapvida, Clayton Souza Fortunato Filho, no Hospital América, em Goiânia. Segundo o especialista, o caso exigiu rápida tomada de decisão e atuação multidisciplinar desde os primeiros sinais de alerta. “Era uma gestação de alto risco, com hipertensão e diabetes gestacional. Por volta das 29 semanas, identificamos um aumento importante do volume abdominal e cistos ovarianos volumosos. Solicitamos exames mais detalhados, que revelaram um tumor de sigmoide com metástases ovarianas, caracterizando um câncer já em estágio avançado”, explica o médico.

    Diante do diagnóstico, Elisflávia foi imediatamente encaminhada para acompanhamento oncológico. A estratégia inicial era prolongar a gestação por pelo menos 34 semanas para garantir maior segurança ao bebê antes do início do tratamento contra o câncer. No entanto, a evolução clínica da paciente exigiu uma mudança de planos. “Ela apresentou piora significativa, com dificuldade para se alimentar, acúmulo de líquido abdominal (ascite) e necessidade de procedimentos de alívio. Diante desse cenário, discutimos o caso com oncologistas e a gestão nacional, e optamos pela realização antecipada do parto, com 31 semanas e 3 dias”, detalha o obstetra.

    A cesariana, considerada de alta complexidade, mobilizou uma força-tarefa da equipe multiprofissional que atuou no caso. “Era uma cirurgia desafiadora. Montamos uma equipe com cirurgião oncológico, garantimos UTI materna e neonatal, além de todo preparo prévio para o nascimento da bebê, como maturação pulmonar e neuroproteção”, destaca o médico cardiologista pediatra e diretor-médico da unidade, Wesley Medeiros.

    Para Elisflávia, o sentimento agora é de gratidão. “Minha avaliação é a melhor possível. Foi uma mobilização maravilhosa. Eu sei que todos deram o melhor naquele dia. O que posso fazer é orar por cada um deles. Não tem como pagar o que fizeram por mim”, agradece.

    No colo de Elisflávia, Olívia não representa apenas a chegada de uma filha, mas a materialização de uma travessia. Uma história onde ciência e sensibilidade caminharam juntas para garantir o que hoje se celebra: a vida, em sua forma mais potente.