Criação do Museu do Césio-137 dá passo importante na Câmara de Goiânia
A criação do Museu e Memorial do Césio-137 avançou na Câmara de Goiânia nesta quarta-feira (20). O projeto de lei de criação do memorial é do vereador Lucas Kitão (Mobiliza) e recebeu o aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por unanimidade entre os membros do colegiado.
Conforme o parlamentar, o projeto visa preservar a memória e reconhecer a história do maior acidente radiológico da história fora de uma usina nuclear. O acidente aconteceu em 13 setembro de 1987, e está prestes a completar 39 anos.
O acidente aconteceu após o manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado, onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia. O evento com o Césio-137 atingiu direta e indiretamente mais de mil pessoas e quatro vítimas faleceram após o contato direto com uma cápsula de 19 gramas da substância em um ferro-velho, que funcionava na Região Central da capital.
De acordo com o vereador, a proposta reconhece o trabalho dos profissionais e dá motivo justo e histórico para que sejam feitas homenagens às vítimas, além de valorizar a história da Capital. Kitão lembra que a Netflix lançou, neste ano, uma série sobre o episódio, mas as gravações foram realizadas no estado de São Paulo, não dando o reconhecimento à capital goiana.
Preservação histórica
Kitão explica que o Museu e Memorial deverá contar com área de exposição e espaço de homenagem e preservação histórica. Caso seja aprovado, sancionado e implementado pela Gestão, o espaço deverá contar com área de convivência e terá como objetivo homenagear as vítimas, preservar a memória histórica e seu impacto social, além de servir como um espaço cultural e educativo para escolas, universidades e visitantes.
“Nossa história tem o maior acidente radiológico do mundo. Está em nossa história e deixou um legado de dor, estigmatização e desinformação, mas também revelou a solidariedade de profissionais de saúde, bombeiros, militares e cidadãos que atuaram heroicamente no socorro às vítimas”, justificou.
Centro Regional
Hoje, a capital goianiense conta apenas com locais concretados e que estão próximos do cidadão. O único espaço reservado para a memória está em Abadia de Goiás. No local, mais de 6 mil toneladas de rejeitos contaminados foram recolhidos e estão enterrados em duas caixas de concreto, em uma área de 32 alqueires, dentro do Parque Estadual Telma Otergal, às margens da BR-060.
Lá, foi construído o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste (CRCN-CO), que é vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Sua função é monitorar os rejeitos do Césio e promover pesquisas na área ambiental ligadas à radioatividade.
“Nossa ideia é ter um local em Goiânia, assim como existe em Nova York, nos Estados Unidos, no Museu e Memorial do World Trade Center. O local preserva a história e a memória das vítimas do atentado de 11 de setembro de 2001. É importante termos esse mesmo espaço aqui”, justificou.
Segunda tentativa
É a segunda tentativa de um projeto de lei semelhante. Em 2011, um projeto de lei do ex-vereador Túlio Maravilha (MDB) tentou a criação de um Museu na Rua 57, no Centro de Goiânia. O texto foi arquivado.
A nova proposta busca criar um Memorial na capital, sem delimitação de espaço. Conforme proposto, o Museu será implementado em uma área a ser definida pelo Poder Executivo.
Após aprovação na CCJ, o projeto passará ainda por duas votações no Plenário.