• Goiás deve sentir impacto menor das novas tarifas dos EUA, aponta Nota Técnica da Fieg

    Publicado em 17.07.2026 às 09:05

    As novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos às importações brasileiras devem ter impacto mais moderado sobre Goiás do que sobre o restante do País. A avaliação consta na Nota Técnica divulgada nesta quinta-feira (16/07) pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que analisa os efeitos das tarifas norte-americanas sobre as exportações brasileiras e goianas.

    Segundo o documento, embora os Estados Unidos representem um dos principais destinos das exportações goianas – com US$ 641 milhões embarcados em 2025 –, a lista de produtos isentos da tarifa adicional de 25% contempla itens de grande peso na pauta estadual, como carnes e soja. Com isso, a tendência é de que as novas medidas funcionem mais como um freio ao crescimento das exportações do que como um fator de retração significativa nas vendas.

    A Gedin-Fieg estima que o valor exportado por Goiás ao mercado norte-americano permaneça próximo da média atual, em torno de US$ 80 milhões por mês. O comportamento difere do observado em âmbito nacional, onde a expectativa é de redução entre 10% e 15% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 360 milhões por mês ou US$ 4,3 bilhões por ano.

    A análise mostra ainda que a experiência do “tarifaço” aplicado em 2025 reforça essa projeção. Enquanto as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram cerca de 22% durante a vigência das barreiras daquele período, Goiás registrou apenas uma estabilização das vendas externas, com redução média de 3%, retomando o crescimento após a suspensão das medidas, em fevereiro deste ano.

    No plano nacional, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a nova tarifa de 25% agrava um cenário que já vinha pressionando o comércio bilateral. Segundo a entidade, 20 dos 27 Estados brasileiros reduziram as exportações para os EUA no primeiro semestre, movimento que compromete a competitividade da indústria brasileira e amplia a insegurança para empresas dos dois países.

    PIX e outros temas entram na negociação – A Nota Técnica destaca que as barreiras comerciais extrapolam a discussão tarifária e fazem parte de uma negociação mais ampla entre os dois governos. Além da tarifa adicional de 25%, permanece em análise pelos Estados Unidos uma sobretaxa de 12,5%, vinculada a investigações comerciais conduzidas pelo governo norte-americano.

    Entre os temas apontados pelos Estados Unidos nas negociações estão o Pix, a tributação de empresas de tecnologia, questões ligadas a minerais críticos e terras raras, além de outros assuntos comerciais. Na avaliação da Gedin-Fieg, esses pontos podem influenciar as próximas rodadas de diálogo entre os dois países.

    Para Goiás, o documento observa que justamente a pauta de minerais críticos e terras raras pode abrir espaço para futuras iniciativas de cooperação e investimentos norte-americanos, caso as negociações avancem. Ainda assim, a Nota Técnica recomenda cautela nas projeções, diante das mudanças frequentes na política comercial adotada pelo governo dos Estados Unidos.