• Vereadora Kátia quer levar expedição do Meia Ponte para toda a extensão do rio

    Publicado em 20.08.2026 às 20:04

    A Expedição Rio Meia Ponte, iniciativa coordenada pela vereadora Kátia (PT) desde 2023, pode ganhar uma nova dimensão. Candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás, a parlamentar pretende ampliar o projeto para além dos limites de Goiânia e levar o trabalho de pesquisa, monitoramento, educação ambiental e mobilização social para toda a extensão do rio e para os municípios que integram sua bacia.
    A proposta nasce de uma experiência que, em quatro edições realizadas na capital, já reuniu universidades, instituições de pesquisa, órgãos públicos, Saneago, entidades da sociedade civil, estudantes e voluntários em um esforço coletivo para conhecer melhor as condições do Meia Ponte e apontar caminhos para sua recuperação e preservação.
    “A gente começou olhando para os 40 quilômetros do Meia Ponte dentro de Goiânia. Mas o rio não termina na divisa do município. Se queremos realmente cuidar dele, precisamos olhar para toda a sua extensão, para todos os municípios e para toda a bacia”, afirma Kátia.
    A primeira expedição foi realizada em março de 2023, em uma parceria que envolveu, entre outras instituições, Universidade Federal de Goiás (UFG), Instituto Federal de Goiás (IFG), PUC e Saneago. Pesquisadores, técnicos e equipes de órgãos públicos percorreram cerca de 40 quilômetros do rio dentro da capital, por água e por terra, coletando amostras e identificando pontos de degradação, assoreamento, poluição, descarte irregular de lixo e esgoto, ocupação das margens e desmatamento.
    O trabalho deu origem à Carta das Águas do Meia Ponte, concebida como um diagnóstico capaz de subsidiar políticas públicas de preservação e recuperação do manancial.

    Rede de pesquisa
    Ao longo das edições, o projeto cresceu e incorporou novas instituições e áreas de investigação. Na quarta edição, realizada em março de 2026, a iniciativa já contava com 48 instituições parceiras, entre universidades, órgãos públicos, organizações da sociedade civil e entidades privadas, além de 470 voluntários.
    A UFG, o IFG, a Universidade Estadual de Goiás (UEG) e a PUC Goiás participam de diferentes frentes de pesquisa. A Saneago também integra o trabalho, com coleta e análise de amostras de água, solo e vegetação. Na edição mais recente, foram realizadas coletas em pontos do rio para avaliar qualidade da água, erosão, vegetação das matas ciliares e vazão.
    A proposta, portanto, não é apenas retirar lixo do rio. A expedição combina ciência, diagnóstico ambiental, educação, mobilização comunitária e produção de informações para orientar políticas públicas.
    As quatro edições já produziram um volume significativo de informações e resultados práticos. Mais de 560 toneladas de lixo já foram retiradas do rio. Também já foram identificados mais de 30 pontos de assoreamento, dois aterramentos e diferentes pontos de erosão, além de registros de descarte irregular de efluentes e outras atividades de impacto ambiental. A expedição também já distribuiu mais de 8100 mudas de plantas nativas do Cerrado para replantio às margens e nas proximidades do rio e envolveu mais de 950 voluntários.
    O trabalho também tem uma dimensão educativa. A expedição mobiliza estudantes, pesquisadores e moradores em estações ambientais, oficinas, exposições e atividades de educação ambiental. Desde o início do projeto, a iniciativa já alcançou mais de 4500 pessoas e ampliou significativamente sua rede de participação.
    Outro resultado importante aparece no monitoramento da qualidade da água. Dados preliminares apresentados após a quarta expedição apontaram melhora nos níveis de oxigenação em comparação com 2023, embora os índices ainda estejam abaixo do desejável. As amostras coletadas continuam sendo analisadas por pesquisadores e técnicos.
    Para Kátia, esses resultados mostram que o trabalho precisa continuar, mas também precisa mudar de escala. “O que estamos fazendo em Goiânia mostra que é possível reunir ciência, poder público e sociedade para conhecer o rio e agir sobre os problemas. Agora precisamos dar um passo maior. O Meia Ponte é um rio de Goiás, não apenas de Goiânia”, afirma.

    Ampliação dos trabalhos
    A proposta de ampliar a expedição ganha importância justamente porque o Meia Ponte tem uma dimensão que ultrapassa os limites da capital. A Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte está inserida em 39 municípios e concentra aproximadamente 40% da população de Goiás, em apenas 4,2% do território estadual. O Alto Meia Ponte, localizado a montante da captação utilizada para o abastecimento público da Região Metropolitana, é especialmente estratégico para a segurança hídrica.
    “Quando a gente fala em preservar o Meia Ponte, não está falando apenas de meio ambiente. Estamos falando de água na torneira, de produção de alimentos, de atividade econômica, de saúde pública e de qualidade de vida. Estamos falando de segurança hídrica”, afirma.
    É nesse contexto que a candidatura de Kátia à Assembleia Legislativa passa a incorporar uma nova proposta: transformar a experiência da Expedição Rio Meia Ponte em uma iniciativa de alcance estadual.
    A ideia é articular universidades, institutos federais, Saneago, órgãos ambientais, municípios, comitês de bacia, produtores rurais, organizações da sociedade civil e comunidades locais para percorrer diferentes trechos do rio e de seus afluentes.
    “Quero levar essa experiência para a Assembleia e ajudar a construir uma política permanente de proteção do Meia Ponte. A expedição não pode ser apenas um evento anual. Ela precisa se transformar em conhecimento contínuo, monitoramento e ação pública”, afirma.