Caiado propõe IA para cruzar dados entre órgãos de fiscalização no combate ao crime organizado
Unificar dados estratégicos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da Receita Federal, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Polícia Federal (PF) é a proposta do candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) para combater o crime organizado no Brasil. A proposta, batizada de “Sistema Sentinela”, foi defendida durante agenda realizada na manhã desta quinta-feira (17), na Rua 25 de Março, em São Paulo.
Segundo o presidenciável, a integração dos órgãos seria apoiada por um sistema de inteligência artificial capaz de identificar fraudes e indícios de crimes por meio do cruzamento de informações. “O Ministério da Segurança Pública vai ter a ligação com o COAF. Vai ter acesso 100% à Receita Federal. Vai ter toda a inteligência da Polícia Federal e do CVM. Isso tudo migra por um caminho chamado inteligência artificial, que vai juntar todos esses dados e vai apontando caso a caso e vai tirando esse tecido podre da sociedade”, disse.
O candidato reconheceu que o crime organizado hoje está enraizado na economia formal, no dia a dia das pessoas. Segundo ele, é possível identificar a presença de facções em operações envolvendo os setores de transporte, financeiro e de coleta de lixo, além de sites de apostas.
Ao longo da caminhada, Caiado reconheceu que a 25 de Março — conhecida por ser um polo comercial — opera em ritmo enfraquecido. Os juros altos foram apontados por ele como a principal razão para a desaceleração da economia. “Ninguém aguenta uma taxa de juros como a que está aí hoje. É impraticável. As pessoas estão vivendo do salário que no dia 15 do mês já acabou. No final do mês, não sabe o que pagar, tem que escolher entre uma coisa ou outra”, explicou.
Para baixar a taxa de juros, Caiado propõe, em seu plano de governo, a implantação de um novo teto para a meta fiscal que limite os gastos obrigatórios do governo a 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A medida, que seria feita via Proposta de Emenda à Constituição (PEC), teria duração de 24 meses. Além disso, ele também defendeu cortes de 25% nas despesas discricionárias de todos os poderes da República. O combate à corrupção e o corte de privilégios na máquina pública também são apontados como medidas para ajustar a economia.
Com a implantação das medidas, defendeu o candidato, será possível retomar, em um ano, a taxa de juros ao patamar de 7% e a inflação entre 3% e 4%. “Com um ano de governo, isto aqui, a 25 de Março, vai voltar aos seus tempos áureos. Vamos colocar o Brasil novamente na regra”, prometeu.
Crise no Supremo
Ronaldo Caiado (PSD) classificou como de “gravidade extensa” e de “proporções jamais vistas” a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a Corte, que deveria ser a guardiã da Constituição e responsável pela segurança jurídica do país, está “estraçalhada” e “quebrada”.
Caiado também defendeu que não se deve separar casos envolvendo o empresário Daniel Vorcaro de acordo com os interesses ou relações de diferentes atores políticos. Ele afirmou ainda que a falta de credibilidade das instituições compromete a governabilidade e defendeu a necessidade de um presidente com condições morais para conduzir o país.